Poesia: A alma não tem justiça
A alma não tem justiça
Hoje estou triste, estou triste.
Estarei alegre amanhã…
Sempre em qualquer coisa vã.
Ou a chuva, ou o sol, ou a preguiça…
Tudo influi, tudo transforma…
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.
Uma verdade por dia…
Um mundo por sensação…
Estou triste. A tarde está fria.
Amanhã, o sol e a razão.
Fernando Pessoa
Pintura: Friedrich von Amerling
Temas da Pintura: Leitores (as) – Galeria 21
A um Livro
No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.
Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!
Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto! …
Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer o que tu dizes! … Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto! …
Florbela Espanca
MARY EVELYN KINDON
HARRY BROOKER
IVAN KRAMSKOI TITO CONTI
JOHN HENRY HENSHALL PIERRE-AUGUSTE COT
JOHN ARTHUR LOMAX
WALTHER FIRLE
ALBERT RÀFOLS-CASAMADA FRANCIS JOHN WYBURD
STANHOPE ALEXANDER FORBES
GUGLIELMO ZOCCHI
A verdadeira arte de viajar…
ANTONIO MANCINI EVERT JAN BOKS
A Verdadeira Arte de Viajar
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Mario Quintana
Um autor, duas obras: Florent Willems
FLORENT JOSEPH MARIE WILLEMS
(Liège, Bélgica, 08 de janeiro de 1823- Neuilly-sur-Seine, França, 23 de outubro de 1905)
Um autor, duas obras: Hans Zatzka
HANS ZATZKA
(Viena, Áustria, 08 março de 1859 – Viena, Áustria, 17 de dezembro de 1945)
Poesia: Os dois horizontes – Machado de Assis
Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.
Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.
Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.
No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.
Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.
Machado de Assis
Fotografia: Philip Perold
Canção
CANÇÃO
Fui fechar a janela ao vento.
_ Vento, por que vens aqui?
Eu amo os papéis que leio!
Fui fechar a janela ao vento
e me arrependi.
O vento dançava nos ares,
nem no céu nem no jardim,
só na sua liberdade,
o vento dançava nos ares,
isento e sem fim.
_ Vento, quero ir também contigo,
em meu coração falei.
E meu coração levou-me!
_ Mais longe do que contigo,
vento, voarei.
Cecília Meireles, 1955
Fotografia: Willyam Bladberry
Música na pintura – Galeria 18
GAETANO BELLEI
JUAN GIMENEZ MARTIN
MARGARET ISABEL DICKSEE
VICENTE PALMAROLI
FREDERICO BALLESIO
FRANCIS SYDNEY MUSCHAMP
Temas da Pintura: Amizade – Galeria 26
“A amizade é um amor que nunca morre”.
Mario Quintana
POEMA DO AMIGO
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…
Vinicius de Moraes
VITTORIO REGGIANINI
LADISLAS WLADISLAW VON CZACHÓRSKI
DANIEL RIDGWAY KNIGHT
SIR LAWRENCE ALMA-TADEMA
THOMAS BROOKS
ROBERT PAYTON REID
MARY EVALINA KINDON
JOAQUIN PALLARES ALLUSTANTE
GIOVANNI BATTISTA FILOSA
HENRY CARO-DELVAILLE
HANS FEDRICK GUDE
FRANCIS SYDNEY MUSCHAMP
ROWLAND WHEELWRIGHT
THEO VAN RYSSELBERGHE
HENRY JOHN YEEND KING
Amar é uma arte ! – Galeria 29
Sei que é Amor, meu amor…porque o desejo
o meu próprio desejo tão violento,
dir-se-ia ter pudor, ter sentimento,
quando estás junto a mim, quando te vejo.
É um clarim a vibrar como um harpejo,
misto de impulso e de deslumbramento.
Sei que é Amor, meu amor…porque o desejo
é desejo e ternura a um só momento.
Beijo-te a boca, as mãos, e hei de beijar-te
nessa dupla emoção, (violento e terno)
em que a minha alma inteira se reparte,
- e a perceber em meu estranho ardor,
que há uma luta entre o efêmero e o eterno,
entre um demônio e um anjo em todo Amor!
J. G . de Araujo Jorge
FRITZ ZUBER-BUHLER
EVARISTE CARPENTIER
RICHARD BERGH
WILLIAM HATHEREL
JOHN FAED
SIR LAWRENCE ALMA-TADEMA
FEDERICO ANDREOTTI
EDMUND BLAIR-LEIGHTON
EDWARD BURNE JONES
LORD FREDERICK LEIGHTON
CHARLES JOSEPH FRÉDERIC SOULACROIX
Deu branco !… Galeria 11
JAMES ABBOTT MCNEILL WHISTLER
LOUISE ABBEMA
LILLA CABOT PERRY SAMUEL LUKE FILDES
FREDERIK HENDRIK KAEMMERER FRANZ SCHROTZBERG
PAUL CESAR HELLEU AMOS CASSIOLI
Saúde !
WILLIAM ARTHUR BREAKSPEARE
FRITZ WAGNER
WALTER DENDY SADLER
TALBOT HUGHES
JOHN ARTHUR LOMAX
ANDREA LANDINI
PIETRO TORRINI MENO MUHLIG
AUGUST HERMANN KNOOP
Lar, doce lar… Galeria 5
LÉON AUGUSTIN L´HERMITTE
LEOPOLD SCHMUTZLER
RICARDO LOPEZ CABRERA
DAVID EMILE JOSEPH DE NOTER
ALBERT EDELFELT
NANCY A. SABINE
CARLTON ALFRED SMITH
EUGENIO ZAMPIGHI
JULIUS LEBLANC STEWART
JAMES JACQUES JOSEPH TISSOT
GEORGE GOODWIN KILBURNE
Contemplação…
Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
Fernando Pessoa
Pintura: Adrien Moreau (Pintor francês, 1843-1906)
Temas da Pintura: Cupidos – Galeria 6
Cupido, também conhecido como Amor, era o deus equivalente em Roma ao deus grego Eros. Filho de Vênus e de Marte, (o deus da guerra), andava sempre com seu arco, pronto para disparar sobre o coração de homens e deuses. Teve um romance muito famoso com a princesa Psiquê, a deusa da alma. Saiba mais: CUPIDO
POMPEO BATONI
JACQUES CLEMENT WAGREZ
GUILLAUME SEIGNAC
LEON JEAN BASILE PERRAULT WILLIAM-ADOLPHE BOUGUEREAU
HENRI PIERRE PICOU
CHARLES VERLAT THEOPHILE BLANCHARD
HANS ZATZKA
JOSEPH MARIE VIEN
Um autor, duas obras: Juarez Machado
JUAREZ MACHADO
(Joinville, Santa Catarina, Brasil, 16 de março de 1941)
Um autor, duas obras: Edmund Adler
EDMUND ADLER
(15 de outubro de 1876, Viena, Áustria – 10 de maio de 1965, Mannersdorf, Áustria)
E por vezes…
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
Pintura: Knud Andreassen Baade (Noruega, 1808-1879)
Miscelânea: Pintores italianos – Retratos de Mulher
TITO CONTI
ALESSANDRO ZEZZOS GAETANO BELLEI
PIETRO ANTONIO ROTARI ALFONSO SAVINI
VINCENZO IROLLI ANGELO ASTI
VITTORIO MATTEO CORCOS FILIPPO INDONI
VITTORIO REGGIANINI
Um autor, duas obras: Jan Frederik Pieter Portielje
JAN FREDERIK PIETER PORTIELJE
(Amsterdam, Holanda, 29 de abril de 1829 – Antuérpia, Bélgica, 6 de fevereiro de 1908)
Pintor de cenas de gênero e retratos. Estudou com Valentijn Bing (1812-1895) e, posteriormente, com Jan von Braet Uberveldt (1807-1894), em Amsterdam. Em 1849 foi para Antuérpia e estudou na "Academie voor Koninklijke Schone Kunsten", com J.-L. Dyckmans (1811-1888). Após este período de treinamento, passou dois anos em Paris e viajou pela França e Alemanha.
Estabelecendo-se em Bruxelas, ficou conhecido como pintor de retratos (especialmente nos círculos ingleses), mas também trabalhou para clientes holandeses e americanos. Entre 1857 e 1884, participou de exposições em Amsterdã e Haia.
Seus filhos Edward (1861-1949) e Gérard (1856-1929) também foram pintores.
VEJA MAIS OBRAS: JAN PORTIELJE
Uma beleza oriental – Galeria 14
HENRY NELSON O´NEILL CONSTANT JOSEPH BROCHART
JAN FREDERIK PIETER PORTIELJE ANTONIO TORRES FUSTER
PAUL EMIL JAKOBS LEON FRANÇOIS COMERRE
EMILE EISMAN SEMENOWSKY FRIEDRICH VON AMERLING
CHARLES AMABLE LENOIR FEDERICO FERNANDEZ Y GIMENEZ
Temas da Pintura: Trabalhadores (as)
GEORGE DUNLOP LESLIE
CHARLES SPENCELAYH
CARL HETZ THOMAS WATERMAN WOOD
FRANCK ANTOINE BAIL WILLIAM MCGREGOR PAXTON
DAVID EMILE JOSEPH DE NOTER PIERRE EDOUARD FRERE
DANIEL RIDGWAY KNIGHT
HANS DAHL
PETRUS VAN SCHENDEL ALBERT ANKER
JOHN GEORGE BROWN
Pintura: Vittorio Reggianini–Galeria 3
Vittorio Reggianini nasceu em Modena, norte da Itália, em 1858 (ou 1853- há controvérsia) e estudou na Academia desta cidade, onde posteriormente tornou-se professor. Como muitos de seus contemporâneos, também Reggianini migrou para o sul (Florença), onde em 1900 participou do “Corcurso Alinari” com uma pintura intitulada "Tristis Matris Nati Presaga Finis". Também expôs na Associação de Arte de Florença em 1907/8 e, novamente, na exposição de 1910-1911. Especializou-se em temas de gênero: cenas elegantes da vida burguesa, interiores humildes das casas campesinas, temas clássicos – todos com o mesmo rigor detalhista.
O trabalho de Vittorio Reggianini está representado no Museu do Mainz, da Alemanha Ocidental.
GALERIA VITTORIO REGGIANINI – 3
VEJA TAMBÉM – VITTORIO REGGIANINI GALERIA-2
