Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura

POESIAS

PERDER, GANHAR…

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Com as perdas, só há um jeito:
perdê-las.
Com os ganhos,
o proveito é saborear cada um
como uma fruta boa da estação.

A vida, como um pensamento,
corre à frente dos relógios.
O ritmo das águas indica o roteiro
e me oferece um papel:
abrir o coração como uma vela
ao vento, ou pagar sempre a conta
já vencida.

Lya Luft


Para quê ?

Venus by Man Ray

            Tudo é vaidade neste mundo vão…
            Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada !
            E mal desponta em nós a madrugada,
            Vem logo a noite encher o coração !

            Até o amor nos mente, essa canção
            Que o nosso peito ri à gargalhada,
            Flor que é nascida e logo desfolhada, 
           
Pétalas que se pisam pelo chão !…
          

            Beijos d’amor! Pra quê ?!…
            Tristes vaidades !
            Sonhos que logo são realidades, 
           
Que nos deixam a alma como morta !
           

            Só acredita neles quem é louca !
            Beijos d’amor que vão de boca em boca,
            Como pobres que vão de porta em porta !…

            Florbela Espanca
            Foto: Man Ray


O sono das águas…

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O SONO DAS ÁGUAS

Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme. Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d¿água,
nos grotões fundos.
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem.
E adormece
até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…

(Guimarães Rosa)


Viver não doi…

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VIVER NÃO DOI

Definitivo, como tudo que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.
 
Por que sofremos tanto por amor ?
O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana,
Que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
Um tempo feliz.
 
Sofremos por quê?
Porque automáticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado de nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que
Gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados
Pela eternidade.
 
Sofremos não porque
Nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
Mas por todas as horas livres
Que deixamos de ter para ir ao cinema
Para conversar com um amigo,
Para nada, para namorar.
 
Sofremos não porque nossa mãe
É impaciente conosco,
Mas por todos os momentos em que
Poderíamos estar confidenciando a ela
Nossas mais profundas angústias
Se ela estivesse interessada
Em nos compreender.
 
Sofremos não porque nosso time perdeu,
Mas pela euforia sufocada.
 
Sofremos não porque envelhecemos,
Mas porque o futuro está sendo
Confiscado de nós,
Impedindo assim que mil aventuras
Nos aconteçam,
Todas aquelas com as quais sonhamos e
Nunca chegamos a experimentar.
 
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
 
A cada dia que vivo,
Mais me convenço de que o
Desperdício da vida
Está no amor que não damos,
Nas forças que não usamos,
Na prudência egoística que nada arrisca,
E que, esquivando-se do sofrimento,
Perdemos também a felicidade.
 
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Fé é colocar seu sonho à prova!
 
Carlos Drummond de Andrade

Pintura: Franz Dvorak (Pintor austríaco, 1862-1927)



Espelho, espelho meu ! … Galeria 18

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MIRAGEM

Eu no espelho: atentas, nós duas
nos observamos para além da imagem.
Estendemos a mão, tocamos esse pó de gelo,
sabendo:
se eu mergulhar daqui, e do seu lado, ela,
vão se fundir num sopro nossos rostos,
todos os meus sonhos e os anseios dela.

Mas nenhuma se atreve. Continuamos
sozinhas nesse mundo de reflexos,
eu e ela incompletas, nuas
e sós.
(Lia Luft)

Ilustração: Arno von Riesen

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ALFRED JOSEPH WOOLMER                                                            PIERRE PAUL PRUD´HON


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MARIA WILHELMINA WANDSCHEER                                                                                        CARL VILHELM HOLSOE


Ulisse Caputo (1872-1948) - Through the looking glassTwenty-Six of June, Old Lyme - Childe Hassam_1912

ULISSE CAPUTO                                                                               CHILDE HASSAM


JosephCaraud -1821-1905Hans Hamza - Young Girl in Front of the Mirror

JOSEPH CARAUD                                                                             HANS HAMZA


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PETRUS VAN SCHENDEL


Alfred Tennyson, The Day Dream (1885) Illustration by H Winthrop Peirce

Ilustração: H. Winthrop Pierce



Um pouco de poesia…

Puvis-de-Chavannes-Pierre-Meditation

Poema
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade

Pintura: Puvis de Chavannes


Moonlight Night -1880- Ivan Kramskoy (russian painter)

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia…
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:
Tentei, porém nada fiz…
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis… mas não quero mais…

Cecília Meireles

Pintura: Ivan Kramskoi


AlfonsoSimonetti_ancor_non_torna

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Pintura: Alfonso Simonetti



Espelho, espelho meu… Galeria 17

Toilette by Jules James Rougeron, 1877

JULES JAMES ROUGERON


Woman with a Mirror - Arvid Liljelund_1882Frederick Sandys – The Pearl

ARVID LILJELUND                                                                                        FREDERICK SANDYS


Reflections -1921- Frank W. Benson (american)Charles Martin Hardie (scottish, 1858-1916)- The Studio Mirror 1898

FRANK W. BENSON                                                                     CHARLES MARTIN HARDIE


JULES_EMILE_SAINTIN_French_1829_1894_Reflections-1875François Joseph Corneille Haseleer (Belgica-1804-1890)

JULES EMILE SAINTIN                                                          FRANÇOIS JOSEPH CORNEILLE HASELEER


Robert Hope - A Victorian Debutante

ROBERT HOPE


Preparing for the ball, 1880-Anton-Thiele-(Danish, 1838-1902)_712x600

ANTON THIELE


Getting_Dressed_1869_by_Charles_Edouard_Boutibonne

CHARLES EDOUARD BOUTIBONNE


I see you!, Frederick Morgan. English (1847 - 1927)The Heirloom-Delapoer Downing (1885-1902)

FREDERICK MORGAN                                                                         DELAPOER DOWNING


RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha  este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face ?

Cecília Meireles
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A lua branca…

7.carl schweninger jr

A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.

Oh! bem-amada!

Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do ermo salgueiro
que ao vento chora.

Sonhemos, é hora…

Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.

É a hora indecisa…

Paul Verlaine

Pintura: Carl Schweninger Jr


O belo e a esperança…

“O belo é aquilo que podemos ser

E a esperança é nada mais que a

fidelidade a essa possibilidade que

dorme silenciosa em todos…”

(Rubem Alves)

A Wooded Path In Autumn-HansAnderson-Brendekilde


BRASIL DE LUTO…

IvanKramskoy - Christ in the desert

E quando um acidentado acorda, perplexo, no outro mundo,
e indaga dos anjos que horas são,
muito mais perplexos ficam os anjos…

Mario Quintana

(Alegrete, RS-1906- Porto Alegre, RS -1994)

Pintura de Ivan Kramskoy


O teu nome…

Flor de acaso ou ave deslubrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome, como o destino, chega,
O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!

Alexandre O’Neill

the initials_ Sophie Gengembre Anderson

SOPHIE ANDERSON


gunnar-berndtson-23

PIERRE-MARIE BEYLE                                                                             GUNNAR BERNDTSON


something in the air-Hugo Salmson

HUGO SALMSON



Temas da pintura: Espelhos–Galeria 14

“Se a um espelho e depois a outro,

pergunto se tudo vai bem

não é por vaidade:

procuro o rosto que tinha

antes do mundo o transformar”.

William Butler Yeats (1865-1939)

John William Godward (1861 - 1922) - Ione

JOHN WILLIAM GODWARD


Conrad Kiesel (Düsseldorf 1846–1921 Berlin) Lady in the Boudoir_484x80015.auguste-toulmouche

CONRAD KIESEL                                                                                              AUGUSTE TOULMOUCHE


Admiring her attire by Friedrich Kraus (1826-1894)reflection-by Jerry Barrett

FRIEDRICH KRAUS                                                                                        JERRY BARRETT


Agathe Röstel - The Little Beauty (1896)Carl-Adolf-Gugel-(Bergrabern 1820-1885 Munich) At her Toilette_600x694

AGATHE ROSTEL                                                                                        CARL ADOLF GUGEL


10.jan-portielje_a beauty in an interiorYoung Woman Dressing Her Face_DelphinEnjolras

JAN FREDERIK PIETER PORTIELJE                                                                                   DELPHIN ENJOLRAS



Uma certa melancolia… – 4

PhilipPerold

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana

Foto: Philip Perold 


Distant Thoughts (1886) by Thomas Francis Dicksee (1819-1895)

THOMAS FRANCIS DICKSEE


Alfred Fowler Patten (British, 1826 - c.1888)-The child and the star-1882OrestKiprensky2

ALFRED FOWLER PATTEN                                                                                     OREST KIPRENSKY


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ALFRED STEVENS


Mignon-1869Lenoir,_Charles-Amable_-_Pensive

WILLIAM-ADOLPHE BOUGUEREAU                                                                            CHARLES-AMABLE LENOIR


A Quiet Moment_DelphinEnjolrasamarilla-frederic-leighton

DELPHIN ENJOLRAS                                                                                          LORD FREDERICK LEIGHTON



*

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A pedra, o vento, a luz alteada,
o salso mar eterno, o grito
do mergulhão, sob o infinito azul:
— Deus não me deve nada.


Hélio Pellegrino (1924/1988)


Se…

rafa-vives-

se
nem
for
terra
se
trans
for
mar

Paulo Leminski


Pintura: Retratos de mulher–Galeria 25

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"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé…
Sou forte,
fraca,
generosa,
egoísta,
angustiada,
perigosa,
infantil,
astuta,
aflita,
serena,
indecorosa,
inconstante,
persistente,
sensata e corajosa,
como é toda mulher,
poderia ter respondido,
mas não lhe dei essa colher.

Martha Medeiros

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ANTHONY FREDERICK SANDS                                                                      LADISLAS WLADISLAW VON CZACHÓRSKI


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DELPHIN ENJOLRAS                                                                         GEORGE DUNLOP LESLIE


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JOHN WILLIAM GODWARD                                                                                CHARLES EDWARD PERUGINI


Portrait of an Elegant Lady, Gustave Jean Jacquet. French, (1846-1909)Bernardino Luini (c1480-1532), Head and shoulders of a young woman

GUSTAVE JEAN JACQUET                                                                               BERNARDINO LUINI


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EUGENE DE BLAAS                                                                                   CONSTANTIN MAKOVSKY


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EMILE VERNON                                                                                                FRANÇOIS MARTIN-KAVEL


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WILLIAM CLARKE WONTNER



Tristeza, alegria…

Wladyslaw Teodor Benda (1873-1948)

Se sou alegre ou sou triste?…
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…

 
Fernando Pessoa


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FRANÇOIS MARTIN-KAVEL                                                                                       EMILE VERNON


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CONSTANCE MARIE CHARPENTIER


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TITO CONTI


Edward Robert Hughes (185 -1914)-Idle Tears12.abbey-altson

EDWARD ROBERT HUGHES                                                                                             ABBEY ALTSON


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THOMAS FRANCIS DICKSEE                                                                             MADELEINE LEMAIRE


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FRANCESCO HAYEZ                                                                                                ALFRED STEVENS


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EMILE EISMAN SEMENOWSKY                                                                                  GUSTAVE JEAN JACQUET


Friedrich von Amerling - Retrato de Eliza Kryutsberger. 1837Lycina-Godward

FRIEDRICH VON AMERLING                                                                                      JOHN WILLIAM GODWARD



A alma…

Evening at the Lake - Robert Zund (swiss-painter-19sec)

A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã
brilhante e fresca, inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol…
triste e nostálgico.

Rubem Alves

Pintura: Robert Zund


Amar é uma arte !–Galeria 22

DOSIMETRIA DO AMOR:

…”Que não seja imortal, posto que é chama

mas que seja infinito emquanto dure.”

Vinícius de Morais


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MARCUS STONE


The Kiss - Arcangelo Salvarani -1918

ARCANGELO SALVARANI


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FREDERICK ARTHUR BRIDGMAN


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DANIEL HERNANDEZ                                                                                         FEDERICO ANDREOTTI


Jules Salles-Wagner (1814 - 1898) - Romeo and Juliet

JULES SALLES-WAGNER


peaceful life´s-Ludwig Knaus

LUDWIG KNAUS


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EDMUND BLAIR-LEIGHTON


SONETO DA FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Faça chuva ou faça sol… Galeria 16

O vento sopra lá fora.
Faz-me mais sozinho, e agora
Porque não choro, ele chora.
É um som abstracto e fundo. 
Vem do fim vago do mundo. 
Seu sentido é ser profundo.

Diz-me que nada há em tudo. 
Que a virtude não é escudo 
E que o melhor é ser mudo.

Fernando Pessoa

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GUSTAVE CAILLEBOTTE


George Laurence Nelson - Helen in her gardenKonstantin Makovsky - Portrait of Countess S.L. Stroganova

GEORGE LAURENCE NELSON                                                               KONSTANTIN MAKOVSKY


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VITTORIO MATTEO CORCOS                                                                                    CHARLES HEBERER


An afternoon stroll by Madeleine Jeanne Lemaireantoine ducrot

MADELEINE JEANNE LEMAIRE                                                                              ANTOINE DUCROT


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JAMES JACQUES JOSEPH TISSOT


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ARTHUR JOHN ELSLEY                                                                                GEORGE DUNLOP LESLIE



Então serás eterno…

Alexander_Matev

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

Foto: Alexander Matev


Poesia: Carlos Drummond de Andrade

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ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fudamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.


OlegKlochkov

SONETO DA PERDIDA ESPERANÇA

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.


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POEMA

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.


roses--

ROSA ROSAE
Rosa
e todas as rimas
Rosa
e os perfumes todos
Rosa
no florindo espelho
Rosa
na brancura branca
Rosa
no carmim da hora
Rosa
no brinco e pulseira
Rosa
no deslumbramento
Rosa
no distanciamento
Rosa
no que não foi escrito
Rosa
no que deixou de ser dito
Rosa
pétala a pétala
despetalirosada



luiza-gelts

MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.



528402

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Poeta, contista e cronista brasileiro

(Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)


Eu sou um (a) pintor (a) !–Galeria 14

pintor

E à Arte o Mundo Cria

Seguro Assento na coluna firme
Dos versos em que fico,
Nem temo o influxo inúmero futuro
Dos tempos e do olvido;
Que a mente, quando, fixa, em si contempla
Os reflexos do mundo,
Deles se plasma torna, e à arte o mundo
Cria, que não a mente.
Assim na placa o externo instante grava
Seu ser, durando nela.

Ricardo Reis
Heterônimo de Fernando Pessoa

auguste-raynaud-french-1845-1877-The Young Model's Moment

AUGUSTE RAYNAUD


Young woman at his easel, Etienne Francois Eugene LecoindreSelf-Portrait as the Allegory of Painting (1630s). Artemisia Gentileschi (Baroque, 1593_1652-53)

ETIENNE FRANÇOIS EUGENE LECOINNDRE                                                                            ARTEMISIA GENTILESCHI


The Interior of an Atelier of a Woman Painter (1796). Marie-Victoire Lemoine (French, 1754–1820)j-c-waite

MARIE VICTOIRE LEMOINE                                                                             J. C. WAITE


Henri_Fantin-Latour_-_A_Lição_de_Desenho_ou_Retratos,_1879

HENRI FANTIN-LATOUR


the-artist´s-model-by-Karl Josef Litschauer

KARL JOSEPH LITSCHAUER


Paoletti_Antonio_The_Three_Graces

ANTONIO PAOLETTI


Scholten, Hendrik Jacobus (1824-1907) - Painters in atelier, 1854

HENDRIK JACOBUS SCHOLTEN



Retratos de Mulher–24: Gravuras, litografias, pintura em porcelana (KPM)

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"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé…
Sou forte,
fraca,
generosa,
egoísta,
angustiada,
perigosa,
infantil,
astuta,
aflita,
serena,
indecorosa,
inconstante,
persistente,
sensata e corajosa,
como é toda mulher,
poderia ter respondido,
mas não lhe dei essa colher.

Martha Medeiros


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MARCUS STONE                                                                                       M. MARCO


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NATHANIEL SICHEL


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CONRAD KIESEL                                                                                EMILE VERNON


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ALFRED SCHWARZ                                                                               FAUSTIN BESSON


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FRANZ ROBERT RICHARD BRENDAMOUR                                                                             JOHN PHILLIP


j.ducollet-litografiaReverielito-laurevirginie-lito


09kpmkpm-022

kpm-007kpm-06

Placas de porcelana pintada (KPM – Berlim)



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